Correio
Hoje pude rever
As lembranças que meu pai me deixara:
Uma flor,
Relento esquecido de um melancólico fato,
Um beijo,
Uma cadeira,
Uma carta... escrita do próprio punho
Com caneta esferográfica.
Hoje pude rever
Um estranho caso.
A casa vazia,
Sem nexo,
Sem samambaias,
Com as paredes infiltradas
Por risos e saudades.
Um imensurável sonho quente
Revisto da janela da escola,
Enquanto a chuva dos meus olhos
Lia estreitas curvas passadas.
Meu pai...
O tempo esvaziou.
A janela...
Agora é grade.
No lugar da flor,
Um supermercado.
A carta?
Sei lá...
Acho que ele nunca me mandou!
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